Como repartir o cachê da banda sem briga (3 modelos que funcionam)
Repartir cachê é o assunto que mais gera atrito dentro de uma banda. Não porque os músicos sejam gananciosos, mas porque quase nunca existe uma regra escrita antes do show. Quando o dinheiro chega, cada um tem uma expectativa diferente.
Este guia mostra os três modelos de divisão mais usados por bandas profissionais no Brasil e como aplicar cada um sem gerar ressentimento.
Antes de dividir: separe o que é cachê e o que é custo
O erro número um é dividir o valor cheio que o contratante pagou. Esse valor ainda não é lucro. Primeiro tire:
- Combustível, pedágio, van ou frete de equipamento
- Aluguel de som, luz ou backline
- Alimentação e hospedagem da equipe
- Comissão de produtor ou agenciador
- Impostos e taxas (ISS, RPA, MEI)
O que sobra é o cachê líquido. É esse número que se divide.
Modelo 1: divisão igual
Todos recebem exatamente a mesma parte. Funciona bem em bandas de formação fixa, em que todos ensaiam, carregam equipamento e assumem os mesmos riscos.
- Vantagem: simples, transparente, sem discussão.
- Risco: quem faz o trabalho administrativo (fechar show, dirigir, cobrar) sente que trabalha mais pelo mesmo valor.
- Correção comum: pagar uma "taxa de produção" a quem fecha os shows, antes da divisão igual.
Modelo 2: divisão por função
Cada função tem um valor definido. Exemplo de um show de R$ 3.000 com R$ 800 de custos (R$ 2.200 líquidos):
| Função | Valor |
| --- | --- |
| Vocal / líder | R$ 600 |
| Guitarra | R$ 450 |
| Baixo | R$ 450 |
| Bateria | R$ 450 |
| Técnico de som | R$ 250 |
É o modelo mais usado quando existem músicos contratados (freelancers) ao lado dos membros fixos. O freelancer recebe um valor combinado, fechado, independentemente do resultado do show.
Modelo 3: divisão por participação (sociedade)
A banda funciona como sociedade: cada membro tem um percentual fixo, definido por tempo de casa, investimento em equipamento ou trabalho de gestão.
Exemplo: 30% / 25% / 25% / 20%. Serve para bandas que têm marca própria, reinvestem em produção e dividem também os prejuízos.
O que precisa estar combinado por escrito
Seja qual for o modelo, registre:
1. Quem paga os custos e como eles são comprovados
2. O que acontece se o contratante atrasar o pagamento
3. Quanto recebe o músico substituto
4. Se existe caixa da banda e qual percentual vai para ele
Como o SouArtista resolve isso
No SouArtista você cadastra o show com o valor do cachê, lança as despesas e adiciona os músicos da equipe com o valor de cada um. O app calcula o líquido, mostra a parte de cada músico e registra quem já foi pago e quem está pendente.
Ou seja: a conversa sobre dinheiro deixa de ser memória e passa a ser um número que todo mundo vê igual.
Perguntas frequentes
Quem fecha os shows deve ganhar mais? Na prática, sim — mas combine isso como uma taxa de produção antes da divisão, e não como um "extra" tirado depois.
Músico de apoio entra na divisão do lucro? Em geral não: freelancer recebe valor fixo combinado, que entra como custo do show.
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